Sites de estilo pessoal, como o genial lookbook, me causam um misto de inveja, empolgação e, confesso, vergonha alheia. Não me levem a mal – eu amo de paixão a maior parte das composições, mas é que lembrar que toda aquela produção e carão são para tirar uma foto de si mesmo me faz rir.
Fico pensando qual o motivo dessa minha reação. Na primeira vez que o Sartorialist veio ao Brasil, ele se disse decepcionado com as brasileiras que não ousavam no look. Eu confesso que fiquei meio chocada, já que Brasil e sobriedade são duas palavras que não andam muito juntas. Mas, pensando bem, em que parte do nosso país vemos pessoas vestidas como algumas retratadas no blog dele sem que sejam apontadas como estranhas ou ridículas?
Exemplo besta: outro dia, estava chegando na faculdade com um dos meu óculos Chanel inspired (hehehe) e uma criatura começou a rir. Eu direcionei minhas lentes degradê pra ela e continuei seríssima, até que ela murchou de tão sem graça e disse “que óculos engraçado… você é uma figura”.
Era um dia quente, eu estava usando um macaquinho cinza, de tecido molinho, com um top preto tomara que caia por baixo, sandálias gladiadoras pretas e uma maxi bolsa bege. Uma roupa que seria excessivamente básica, se eu não estivesse num ambiente em que a maioria prefere o padrão universitário hippie, ou o duo calça jeans e camiseta.
Parece que aqui é ou 8 ou 80: farda local ou roupa de baiana. Qualquer coisa no meio termo, como minha tendência a ser perua, causa espanto e escárnio. E eu, que me acho fashion forward, herdo sem sentir o medo do ridículo, que não é ridículo, só é diferente.


